Morre o maior ícone do tradicionalismo gaúcho

Foto Deivis Bueno, Estampa da Tradição Fotografia

Foto Deivis Bueno, Estampa da Tradição Fotografia

Consternados, os gaúchos prestam as últimas homenagens àquele que é sinônimo do gauchismo, Paixão Côrtes faleceu aos 91 anos de idade, depois de vir lutando contra um câncer, estando internado há mais de um mês em hospital da capital

Toda a classe tradicionalista sensibilizada, canta em sua honra e vê a tristeza se agigantar ainda mais, tudo porque os gaúchos estão ás vésperas de comemorar os festejos farroupilha que inicia no dia 1º de setembro, nos mais de três mil CTGs do Rio Grande do Sul, culminando com os desfiles que acontece em 20 de setembro.

Quem foi Paixão Côrtes

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes nasceu em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste gaúcha, no dia 12 de julho de 1927. Era agrônomo, mas se tornou conhecido como folclorista, radialista e pesquisador, considerado um dos maiores nomes do tradicionalismo no Rio Grande do Sul. Ele serviu de modelo para a estátua do Laçador, monumento que homenageia o gaúcho na entrada da cidade de Porto Alegre.

O monumento assinado pelo escultor Antônio Caringi foi escolhido em 1992 como símbolo de Porto Alegre. Tombada como patrimônio histórico em 2001, a estátua foi transferida em 2007 do Largo do Bombeiro para o Sítio O Laçador, onde fica até hoje, devido à construção do Viaduto Leonel Brizola.

Paixão Côrtes foi um dos idealizadores do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul, juntamente com Luiz Carlos Barbosa Lessa e Glauco Saraiva. Em 1948, ele organizou e fundou o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) 35 e, em 1953, fundou o pioneiro Conjunto Folclórico Tropeiros da Tradição.

Junto com Barbosa Lessa, Paixão Côrtes resgatou as tradicionais gaúchas Chimarrita-balão, Balaio, Maçanico e Quero-Mana, Tirana do Lenço, Rilo, Xote Sete Voltas, Xote Inglês, Xote Carreirinha, Vaneira Marcada, Tatu e Pezinho, que foram gravadas por Inezita Barroso.

Nas décadas de 1950 e 1960, Paixão Côrtes se apresentou na Europa, em locais como o Teatro Olympia de Paris, o palco da Universidade de Sorbonne, também na capital francesa, e na Feira Mundial de Transportes e Comunicação, em Munique, na Alemanha. Em 1964, foi premiado como o Melhor Cantor Masculino de Folclore do Brasil.

Em 1986, se apresentou durante um mês na Inglaterra. Em 2001, o tradicionalista ministrou uma palestra sobre a música gaúcha no VII Encontro Nacional de Pesquisadores da Musica Popular Brasileira (MPB), realizado no Teatro da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Dois anos depois, lançaria um novo manual, com mais danças, derivadas do primeiro.

O tradicionalista também é considerado responsável pela abertura de mercado da ovinocultura no estado, com métodos e técnicas de tosquia, desossa e gastronomia trazidos da Europa. Ele ainda trabalhou durante 40 anos na Secretaria Estadual de Agricultura.

O corpo do tradicionalista está sendo velado no Palácio Piratini, onde o chefe maior, governador José Ivo Sartori decretou luto oficial por três dias.

Foto: Deivis Bueno/ Estampa da Tradição Fotografia

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