É preciso “dar a cara a tapa”: três mulheres poderosas dialogam sobre empreendedorismo

Foto Maria Fernanda Moog

Foto Maria Fernanda Moog

Celebração, garra, atitude e empoderamento classificam a noite de quinta-feira (19). Promovida pela Fecomércio-RS, a live com o tema Empreendedorismo feminino aconteceu ao vivo, às 19h, na página do Facebook da entidade.

No dia dedicado ao Empreendedorismo Feminino, três mulheres poderosas dialogaram sobre trajetória de vida e barreiras para empreender em um mercado predominantemente masculino: o do empreendedorismo. Sexo frágil? Mesmo que as mulheres ainda sejam a minoria empreendedora, a cada dia o espaço para elas se abre mais. Em 2018, o Brasil teve a 7ª maior proporção de mulheres nos Empreendedores Iniciais. Os dados são do relatório feito pelo GEM Brasil (Global Entrepreneurship Monitor), que analisou 49 países, e conta com o apoio do Sebrae. Só no Brasil, 48% das microempresas (MEI) existentes pertencem a mulheres.

Para contar suas histórias e inspirar mais mulheres, a Fecomércio-RS convidou três poderosas e apaixonadas empresárias para uma noite empoderada. Em um bate-papo intimista, leve e descontraído, Cerli Dulce Dal Santo, Emily Schuster e Thais Ribeiro contaram suas trajetórias no mundo empresarial.

Cerli Dulce Dal Santo é dona do Espaço da Moda Prime, vice-presidente do Sindilojas Gravataí e coordenadora do Sindimulher. Empresária há 27 anos, Cerli  contou que seu início no mercado empreendedor partiu com uma livraria e uma loja de brinquedos. “Hoje estou realizada, com moda jovem, infantil e feminina. Há quem me pergunte: como posso estar feliz nesse ano de pandemia? Foi um ano difícil para todo mundo, mas eu me reinventei.” A empresária contou que foi diante da pandemia que identificou um momento de reinvenção inesperada e muito positiva, ela afirma: “Minha loja antes era exclusivamente de atendimento presencial. Diante da pandemia, passei 40 dias com a loja totalmente fechada e me vi com alternativas que antes não cogitei nem por um instante. Eu mesma que faço a propaganda da loja, vídeos, publicações nas redes sociais e também entrego os produtos aos clientes, caso não queiram retirar na loja”.

E o ano de pandemia não foi de reinvenção só para a Cerli, a Emily Schuster empreendeu e teve que reinventar seu negócio ao mesmo tempo em que resolveu tirá-lo do papel. A ex-estudante de publicidade abriu um sex shop neste ano, a Fava Shop. Atualmente, presta consultoria e curadoria de sex toys para ajudar as mulheres a se (re)descobrirem: “A minha ideia inicial era ter uma loja de sex shop dedicada ao público feminino de forma presencial. Não tinha como intuito abrir um e-commerce, pois nessa área o que mais tem são lojas virtuais para venda de produtos eróticos. Porém, diante da pandemia me vi com a necessidade de mudar os planos”. A consultora conta que a intenção ao criar um negócio dedicado ao prazer feminino tinha exatamente o objetivo de desconstruir um tabu colocado diante do assunto e, com a pandemia, o negócio teve ganhos positivos, até mesmo diante de mudanças fora da rota: “Todo mundo teve que se reinventar. E foi ótimo eu fazer o meu negócio on-line. Deixaria de atingir mais mulheres não tendo um e-commerce. Por ainda ser um assunto tabu, dessa forma atinjo mais pessoas.”

Outra mulher jovem empresária no mundo do empreendedorismo, Thais Ribeiro,  formada em Relações Públicas pela PUCRS e com pós em Marketing pela ESPM e Gestão de Negócios pela FGV é proprietária da Clínica Thais Spa. A empresária começou o bate-papo contando sobre como começou sua trajetória no mercado da beleza: “Comecei com uma franquia de beleza, porém, eu queria liberdade para poder empreender do meu jeito, então, resolvi criar a minha própria marca.” Falando também sobre as mudanças que a pandemia trouxe para o próprio negócio, Thais comentou que ela se aproximou mais das clientes, usou e abusou mais ainda das redes sociais e buscou adquirir mais conhecimento na área.

Ingrid Holsbach, jornalista e mediadora do diálogo perguntou às empresárias sobre preconceitos e dificuldades que elas possam ter encontrado na trajetória do empreendedorismo por serem mulheres. Cerli iniciou as respostas: “Desde o início, nunca senti preconceito por ser mulher. A minha maior dificuldade era a questão braçal mesmo. Outro problema que encontrei foi em relação ao crédito no mercado financeiro, com o CNPJ novo não conseguia grandes créditos, então tinha que investir do meu dinheiro e viajar em busca de melhores preços e variedade de produtos”. Já Emily comentou que a sua maior dificuldade encontrada não foi sobre o fato de ser uma mulher empreendedora, mas sim, pelo preconceito que a rede de produtos eróticos já tem: “O que eu percebo bastante é o preconceito em relação ao sex shop mesmo. Aos poucos as mulheres estão entendendo que é questão de saúde. Infelizmente, o prazer feminino ainda é visto como um tabu”. Finalizando, Thais explicou ter sofrido preconceito por parte das próprias mulheres: “Por eu não ter minha formação inicial na área da estética, as mulheres julgavam a minha capacidade em ter uma clínica. Mas busquei me especializar em diversos cursos e agora vou iniciar um curso de Biomedicina”.

As empresárias também responderam perguntas sobre os impostos e deixaram claro: “Todos nós deveríamos pagar um imposto justo, único. Já fui voluntariamente junto à Fecomércio-RS batalhar na assembleia por menos impostos. Ainda tenho esperanças que vá diminuir. Não vejo que aconteça em seguida, ainda mais em um ano com tanto desemprego e problemas de saúde”, afirmou Cerli Dal Santo. Thais Ribeiro complementou: “Com a diminuição de impostos, nós conseguimos aumentar a oferta de emprego e oferecer melhores salários!”.

E, finalizando a noite de muita inspiração e troca de experiências, Ingrid pediu às palestrantes que dessem um conselho para quem quer começar a empreender.

Cerli Dal Santo iniciou: “Ahh… mete a cara, não tenha medo. O sol nasceu pra todas e todos. Em casa fazemos tudo junto, não é verdade? Porque não vamos conseguir abrir o próprio negócio? Não tenha medo de mudança! Troca, começa de novo, do zero e vai em frente!”. Emily Schuster seguiu: “Não temos que ter vergonha de mudar! Não é fácil, tem dias que queremos desistir. Mas vale a pena, precisamos insistir. Todo mundo é capaz, principalmente as mulheres!”. E por fim, Thais Ribeiro fechou a noite com seu conselho empreendedor: “Para empreender temos que buscar conhecimento na área. Partir de um plano de negócio para dar um norte, aprendendo a ver onde fazer os investimentos, os empréstimos, etc. É preciso projetar cenários (o melhor e o pior). O plano de negócio é o início de tudo”.

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