Uma sociedade excludente comercializa emoções. E você, comercializa as suas?

Vivemos a Era do vazio do pensamento e da emoção. E assim nos tornamos suscetíveis e vulneráveis à industrialização e comercialização das nossas emoções.

Numa sociedade hiper estimulada através da permanente interatividade proporcionada pelas tecnologias presentes no cotidiano, cada vez mais as emoções genuínas são substituídas pela digitalização. Permanecendo adulterada numa sociedade que se mostra ainda excludente, esta dissociação encontra reforços pela polarização de questões vinculadas à administração do nosso país.

Os mecanismos de repressão do nosso sentir sempre contribuíram para a construção de uma identidade social psicopática traduzida por comportamentos manipuladores, explicitados, por exemplo, pelo estado caótico da política brasileira. Atualmente uma de suas principais ferramentas de manipulação de massa é o ódio, potencializado por ideologias contrárias a uma mentalidade libertadora e evolucionista.

Estamos divididos entre partidos (estamos fragmentados), seja pela esquerda ou direita, obviamente com nuances e mediações que simulam uma tentativa de aproximação dos extremos quando falamos em “centro-esquerda” ou “centro-direita”. De qualquer maneira, o que ainda predomina neste cenário caótico são as manifestações de ódio que retratam comportamentos regressivos, primários, nada producentes, que giram entre esses dois pólos: a ideologia reacionária e conservadora e a ideologia da libertação.

Com isso, nada de novo se construiu. Voltamos às origens, voltamos aos tempos da barbárie.

É sabido que toda mentalidade extremista fecha qualquer porta para o diálogo e conseqüentemente para a inclusão. Para que a nação brasileira ao menos visualize uma saída, onde todos possam coexistir, a única alternativa a ser considerada como imprescindível é a inclusão das diferenças por meio do diálogo e não da coerção ou da repressão. Esses últimos mecanismos servem apenas para eliminar ou aniquilar as pessoas que não se enquadram em padrões mentais e comportamentais pré-existentes, tachados como corretos ou aceitos dentro de um regime de controle e de domínio do sentir sem nenhuma possibilidade de liberdade de expressão, deflagrando um regime ainda patriarcal e reacionário. Por incrível que pareça, vivemos ainda na Era do machismo e do preconceito contra a mulher, os negros, os índios, os homossexuais, os imigrantes, e por aí vai.

É o diálogo que aproxima as diferenças. É o diálogo que inclui e respeita a diversidade de gêneros, pensamentos, crenças e ideais. É o diálogo que une e não separa. É o diálogo que propicia um pensar e sentir na coletividade em busca de soluções. Portanto, é o diálogo que assegura a verdadeira democracia quando aproxima as diferenças.

Infelizmente vivemos tristes tempos onde o sistema democrático brasileiro sofre rupturas em suas bases ideológicas e conceituais. Toda a sua concepção e as tentativas de ações verdadeiramente democráticas caem por terra através de manifestações odiosas que espelham o retrocesso para a nossa sociedade, uma espécie de paralisia intelectual.

Questões que aparentemente poderiam ter sido vencidas pelas lutas por liberdade e igualdades de direitos caem por terra e são pisoteadas quando comportamentos repressores e fascistas erguem suas bandeiras, enaltecendo toda forma de preconceito e discriminação.

O fascismo parece se instalar neste movimento social através da polaridade entre “o bem e o mal”, entre esquerda e direita. Esta reflexão tem o intuito de alertar a população sobre o movimento que está sendo deflagrado por meio da crise política e econômica que se instalou no nosso país. Ainda vivemos dentro de regimes patriarcais, reacionários, excludentes, os quais propõem a pseudo-inclusão pelo processo da submissão e do controle do nosso sentir, do nosso pensar e de nossas ações, o que podemos chamar de fascismo.

Sendo o sentimento de pertencimento ao grupo (sociedade) uma necessidade básica primária que assegura os processos de confiança e segurança pessoal, acabamos por colocar nossas emoções à mercê da sua industrialização e comercialização para nos sentirmos pertencentes ao bando e falsamente “amparados”. Por aí mordemos a isca dos movimentos sociopáticos.

Você comercializa suas emoções?

Nunca vivemos tempos de tamanha oferta para compra de emoções. Você vai encontrar várias portas oferecendo soluções mágicas.

Você vai receber insistentemente uma gama enorme de ofertas de cura para suas emoções. Não há necessidade de sair de casa. As ofertas da cura mágica chegarão até você.

Assim é na política, os salvadores sempre se apresentam como uma alternativa para tirar você do caos instalado por eles mesmos.

A capacidade de separar um tempo para ficarmos na nossa companhia e com as nossas emoções foi substituída pela propaganda das emoções baratas que prometem uma vida feliz e segura, desde que você compre o pacote, é claro!

Perdemos-nos quando negligenciamos esse tempo, de estar só, em silêncio, voltando nossos olhos para dentro, buscando no âmago das nossas mais profundas e verdadeiras emoções o que nossa alma clama. Enfraquecemos-nos e nos tornamos superficiais e robotizados pelas tecnologias e outras formas de distração que nos sobrecarregam de informações irrelevantes e fúteis, para tentar tamponar nossos vazios cada vez maiores.

Desta maneira, tornamo-nos refratários aos nossos próprios sentimentos. E cada vez mais sedentos por eles, já que são as emoções que testemunham a nossa existência, pervertemo-nos com a desculpa de não suportarmos nossas carências e vazios afetivos. Apenas aumentamos o diâmetro do vazio, do buraco e ficamos cada vez mais vulneráveis-presas fáceis para quaisquer que sejam os engodos e enganos. Para qualquer falácia que propõe o preenchimento dos nossos buracos emocionais.

Não nos escutamos mais e por isso também não escutamos o outro. A porta do diálogo interno e externo se fechou. Agora, resta-nos a arena onde vamos combater, medir forças, pela agressão, como os gladiadores fizeram no passado. Ganha o mais forte, aquele que sofrer retaliações estará fora do jogo, eliminado, aniquilado, seja por uma causa “nobre” ou por uma causa política, afinal, a nobreza e a realeza sempre fizeram morada nesse metiê político-doutrinário.

Quanto tempo haverá para aceitarmos o inevitável. Quantos irão morrer injustamente para que, daqui a algum tempo, possamos reconhecer as barbáries cometidas em nome da fé, do poder e do dinheiro.

É preciso sentir! É preciso pensar! É preciso parar alguns minutos, todos os dias, para refletir, para sintonizar novamente na estação primeira que reside em seu coração, em suas emoções. A resposta sempre estará dentro de você. Nunca no outro ou fora do seu próprio universo.

Retome a autonomia perdida, saia da arena ou do ringue. Pare de combater, de odiar, ou de manipular. Pare. Escute a si mesmo para poder escutar o outro sem resistência, sem confronto. Desenvolva sua capacidade de perceber a si mesmo e tudo o que está a sua volta ficará muito mais claro. Volte a refletir. Não haja por impulso. Não se precipite. Não entre em qualquer porta. Não se vincule a qualquer pessoa antes de saber se há, ao menos, alguma afinidade e princípios éticos assegurados. Preste atenção, em primeiro lugar em você. Só você pode decidir o rumo da sua vida, só você deve escolher o seu caminho sem sofrer a influência nefasta de um meio fascista, psicopático e aniquilador. Você ainda é o protagonista da sua própria vida.

Adquirimos maturidade emocional quando aprendemos a identificar nossas emoções e a administrá-las da melhor maneira, conduzindo a nossa vida de acordo com o que verdadeiramente sentimos.

 

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