Entrevista: Reitor da Universidade de Caxias do Sul, professor Evaldo Antonio Kuiava (Parte ll)

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A UCS conta atualmente com quantos professores?

Temos o ingresso de 50 a 60 professores novos todos os anos, em média. Temos o professor que com 65 anos está habilitado a pegar a aposentadoria complementar, e temos um número significativo de professores, que são os mais ativos, na sua grande maioria pesquisadores, que estão nos programas de mestrado e doutorado. Quanto aos que se aposentam temos um ajuste anual, conforme oscila o semestre. Assim, as rescisões estão de acordo com o nosso cronograma.

Nós enquanto gestores, fazemos como qualquer outra empresa: conforme os resultados que geramos vamos fazendo os investimentos na instituição e os ajustes necessários.

Abrimos agora 19 cursos EAD e, de novembro para cá, já captamos 800 alunos. Fechamos o ano passado com mais de 19 mil alunos. Fizemos um orçamento, este ano, para 18,5 mil, prevendo a captação de um número menor de alunos saindo do Ensino Médio (por conta da mudança nas regras do MEC que criou um gap no 9º ano, diminuiu o número de estudantes saindo do Ensino Fundamental). Esse ano as coisas já estão normalizadas, teremos mais alunos e, possivelmente, um maior número de estudantes ingressando.

Mas fizemos um orçamento bem pé no chão para não termos que fazer ajustes. Nossa projeção é atingir a meta orçamentária para termos um pequeno crescimento e isso vai gerar uma receita para investir lá no final.

Temos 2.500 alunos no Lato Sensu que não contam nesses 18,5 mil, mais 800 EAD, e perto de 1 mil nos mestrados e doutorados. Se somarmos tudo, atingiremos perto de 25 mil. Nós caímos na graduação, mas compensamos em outros quesitos. Temos mais 1 mil alunos matriculados no UCS Sênior e estamos crescendo. Só nos cursos de extensão, no ano passado, tivemos em torno de 103 mil pessoas que realizaram alguma atividade na UCS. Precisamos observar os movimentos, e a cada dia temos uma infinidade de eventos sendo gerados no âmbito da UCS.

O sr. poderia comentar sobre duas situações ocorridas em 2018: o aumento da mensalidade no curso de Medicina e a saída da Escola Municipal Leonel Brizola das dependências da Universidade?

Nós tivemos uma adequação na forma de pagar as mensalidades. Nosso curso era um dos mais baratos do RS e vendíamos crédito aos alunos. Então quando chegava em um determinado período do curso, ele fazia ‘x’ crédito, quando ele ia para o estágio, esses dobravam, logo, dobrava a mensalidade. Assim é para quem faz outras disciplinas também. Na Medicina isso gerava uma reclamação dos pais, que se programavam para pagar R$ 5 mil e depois vinha R$ 9 mil ou R$ 11 mil por causa desse sistema. O que fizemos foi diluir isso no total do curso, com essa diferença sendo paga desde o início e a mensalidade fixada até o final do curso. Temos que gerar receita para pagar a operação. Tivemos, por exemplo, que nos adequar à lei que mudou a diretriz na formação dos médicos em nível nacional com relação à carga horária.

Sobre a Escola Leonel Brizola: quando o prefeito Alceu Barbosa Velho, ainda no final da sua gestão, precisava de um espaço para abrigar os 130 alunos da Escola Leonel Brizola, nos reunimos, estudamos uma forma de ajudar e, nesse contexto, avaliamos que, por um período de tempo, poderíamos atender. Então, assim foi feito. Os 130 alunos, do 6º ao 9º ano, residentes no Loteamento Campos da Serra, iniciaram as atividades letivas no dia 06/08/2014. Eles eram atendidos em tempo integral, das 8h às 16h30min, no Bloco J da UCS. Os estudantes realizavam atividades pedagógicas nos dois turnos, bem como três refeições na escola (café da manhã, almoço e lanche da tarde).

Determinamos um período até porque tínhamos projetos para a ocupação desse espaço tão logo as coisas se normalizassem e fosse construída essa escola pelo poder público no Campos da Serra, o que acabou não acontecendo por razões que não nos dizem respeito, pois essa era atribuição da prefeitura.

Nossa ideia sempre foi construir, no prédio do Bloco 46, em frente ao Zoológico, um Centro de Pesquisa e Diagnóstico Animal, e dentro desse espaço um hospital veterinário. Tínhamos lá o Instituto Memória Histórica e Cultural, que transferimos para o Bloco J.

Cumprimos com o nosso papel, não tínhamos interesse algum em retirar a escola, o aluguel que recebíamos da prefeitura não pagava nem a água e a luz. Foi isso o que aconteceu. Te agradeço por nos dar essa oportunidade para esclarecer para a comunidade a verdade dos fatos, mesmo passados quase cinco anos.

Formar profissionais que inspirem confiança

Nós temos o nosso projeto pedagógico institucional, não só para a formação de médico, mas como um todo, ele tem uma visão humanística muito forte. O nosso curso de Medicina está entre os melhores do país em termos de avaliação. Os alunos têm uma formação técnica e científica adequada para dar conta das demandas e também uma postura condizente com aquilo que se espera do médico que precisa ter uma relação mais próxima com o seu paciente. Temos, sim, essa preocupação e informação.

Estamos reformando nosso Centro Clínico com processos inovadores, o que vai nos permitir manter nossos médicos mais tempo dentro da instituição, com eles podendo atender pelos planos de saúde no local. As melhorias também influenciam no processo de formação do aluno, para que eles possam fazer seus estágios no HG e no Centro Clínico. O médico precisa de minutagem, porque a formação médica precisa ter, além de um embasamento técnico-científico sólido, uma formação humana, pois muitas vezes o paciente chega ao profissional já fragilizado e o médico precisa ter feeling para perceber o que a pessoa precisa. Porque às vezes o problema está em outra questão que está afetando a sua saúde física.

É como você educar um filho. Se ele vai seguir o que aprendeu e aquilo que deve ou não fazer é problema dele. Mas existe, sim, essa preocupação quanto à ética e à idoneidade dos nossos formandos. Nossos professores e coordenadores de curso estão observando um avanço bastante significativo nessa linha. Estou muito satisfeito com que o pessoal tem de informação.

Qualidade e inovação dentro de uma realidade mais humana, em detrimento da quantidade de alunos.

Tínhamos 30 mil alunos, e 10 mil possuíam uma disciplina apenas. Então, a vida acadêmica era longa, o aluno ficava 15 anos dentro da universidade e não a vivenciava. Fomos ajustando isso e hoje temos um nível de contratação, em média, de três a quatro disciplinas por aluno, dependendo da área. Ou seja, com menos gente, fizemos mais, somos mais efetivos. A preocupação primeira é com a inovação e a qualificação. Não adianta termos 100 mil alunos e pecar na qualidade.

Mas como a UCS se sustenta com a mensalidade do aluno, temos que chegar ao final do ano ou mês e fechar as contas, temos que gerar receita, levando sempre em consideração de que a cada cinco alunos pagos um é bolsista, pelo fato de sermos uma entidade filantrópica. Vinte por cento do nosso orçamento é usado em algum tipo de benefício. Quantas pessoas estudam aqui de graça, vão para o mercado e realizam um belo projeto de vida? E mesmo que a prefeitura, o governo do Estado e Mitra Diocesana façam parte desse projeto (como membros do Conselho Diretor da Fundação Uniersidade de Caxais do Sul), não nos mandam dinheiro, a não ser aquilo que se faz em termos de projetos, e isso não vem de graça. O bom é que a sobra com todo o investimento feito volta para a própria instituição. Aí está a diferença das instituições que visam lucros, e não é o nosso caso. Temos que gerar resultado para melhorar nossas estruturas e, se não tiver dinheiro para investir, não adianta. Mas teremos algumas novidades esse ano sobre as quais vamos avançar.

Melhorias na segurança e na qualidade de vida é uma prioridade constante.

Vamos avançar na segurança, temos aqui projeto de câmeras de segurança que vai vigiar todo o campus. Nós não vamos fechar as ruas para cobrar estacionamento. Vamos construir um prédio para ampliar o estacionamento, e isso vai ter um custo para os usuários. Este ano vamos apresentar esse projeto. Não vamos tirar as vagas onde os alunos já utilizam, precisamos e vamos ampliar. Hoje, para qualquer evento de qualquer tipo que é realizado na UCS, se você chegar às 19 horas não tem mais onde estacionar. Então de fato temos que resolver o problema. Esse projeto está em andamento, e este ano vamos erguer uma estrutura aqui no campus-se para dar suporte e atender bem à comunidade.

Enfim, estamos com várias obras. Montaremos uma estrutura de ponta, que vai agregar muito valor às nossas iniciativas. Estamos montando as clínicas de Odontologia e uma central de monitoramento no nosso Centro Clínico. Por exemplo, o paciente que está lá em Vacaria poderá fazer uma consulta através de videoconferência, sem a necessidade de deslocamento. Já pensou no tempo que se ganha, nos transtornos com ambulância e logística que se evitam? Não faz sentido uma pessoa idosa, por exemplo, passar por todos os transtornos com uma viagem longa ou às pressas de Vacaria. O especialista pode monitorar por aqui mesmo e acompanhar através do profissional de saúde que fica junto ao paciente, sem a necessidade de deslocamento.

Todas essas iniciativas pensamos em colocar em prática para qualificar as nossas ações enquanto entidade, e quem ganha com isso é a comunidade que clama por melhorias na qualidade de vida.

Foto e texto Laudir Dutra

laudir43@yahoo.com.br

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