UCS sedia fórum de estudos sobre teorias de Paulo Freire

Foto Cláudia Velho

Foto Cláudia Velho

Mais de 500 pessoas, entre professores, pesquisadores, educadores, estudantes de doutorado e de mestrado, bolsistas de iniciação científica e demais interessados na obra daquele que ainda é considerado o maior expoente da pedagogia brasileira são aguardadas no XXI Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire, que se inicia nesta quinta, 2 de maio (data de aniversário de morte do educador, ocorrida em 1997), às 19h, no UCS Teatro. O evento prossegue na sexta e se encerra no sábado, no campus-sede, em Caxias do Sul.

Realizado anualmente e de forma itinerante desde 1999, por estudiosos do legado de Freire, com o propósito de aprofundar os conceitos do autor aplicando-os à Educação na atualidade, o fórum visa à promoção de diálogos e reflexões a partir de um tema central – neste ano, Democracia e Lutas Sociais: denúncias e anúncios. Também se constitui em espaço de divulgação e compartilhamento de estudos e pesquisas sobre educação, democracia, cidadania e lutas sociais tendo como referencial teórico a obra de Freire (o que, nesta edição, ocorre em 15 diferentes eixos temáticos).

Pesquisas em debate – De acordo com a coordenadora geral Terciane Ângela Luchese, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS, o XXI Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire tem como diferencial reunir docentes das mais importantes instituições de ensino superior do Sul do país e do Estado, como UCS, UFRGS, PUC-RS, UNISC, Unisinos, UFPel, FURG, Faccat e Feevale.

Entre os debatedores constam especialistas de expressão internacional na obra freireana, como os professores Cesar Augusto Rossato, PhD em Educação da Universidade do Texas de El Paso (EUA); José Machado Pais, doutor em Sociologia e coordenador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa; e Sérgio Haddad, doutor em Educação pela USP, biógrafo de Paulo Freire e professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS.

“Freire é reconhecido internacionalmente como um dos mais importantes pensadores da educação no século XX. Não é à toa que sua obra seja estudada e referenciada em tantos países distintos, muitos deles com elevados índices de escolarização”, pontua Terciane. “É certo que nem sempre precisamos concordar com Freire, mas para que a crítica seja sustentada, que o debate seja qualificado, é preciso conhecer o que ele escreveu e fazê-lo na profundidade necessária para se tratar dos rumos da educação na contemporaneidade. É preciso dialogar”, sustenta.

Coletividade da Educação – XXI Fórum de Estudos: Leituras de Paulo Freire Agora ocorre 35 anos depois da primeira e única vinda do educador a Caxias do Sul. Em 29, 30 e 31 de maio de 1984, Freire foi o palestrante do 2º Simpósio Municipal de Educação, evento que, reunindo mais de 3 mil pessoas, abriu o Ciclo de Estudos sobre Educação – que até novembro daquele ano trouxe diversos especialistas da área à cidade.

O conteúdo e análises das três conferências realizadas por ele na ocasião está reproduzido no livro O Acendedor de Esperanças – Paulo Freire em Caxias do Sul em 1984, editado pela EDUCS e organizado pela professora Marisa Formolo Dalla Vecchia, coordenadora do ciclo, que será lançado na sexta, dia 3. “Há 35 anos, a cidade fez esse movimento. Hoje, é momento de colaborar com o debate colocando à disposição a história, conceitos, trabalhos e ideias para que a sociedade se sinta estimulada a pensar educação como um processo amplo, para a cidade e região, não mais para cada instituição isoladamente”, defende.

A programação completa das rodas dialógicas, palestras e atividades culturais e as propostas dos eixos temáticos do fórum podem ser conferidas na página do evento acessível pelo site ucs.br.

BIOGRAFIA

AUTOR RECEBEU 48 TÍTULOS ‘HONORIS CAUSA’

Paulo Freire era professor da Universidade do Recife (PE), sua cidade-natal, quando, em 1963, aplicou em Angicos (RN) um projeto de alfabetização pelo qual ensinou 400 adultos a ler e escrever em 40 dias. A experiência foi o marco da implantação do método pedagógico que passou a levar o seu nome – caracterizado pelo estímulo ao pensamento crítico e à construção do conhecimento a partir da realidade do estudante, estabelecendo conceitos como a autonomia do sujeito e a educação libertadora.

O sucesso da iniciativa levou ao convite do presidente João Goulart para que Freire coordenasse o novo Programa Nacional de Alfabetização. Com a tomada do poder pelos militares, em 1964, o educador acabou preso e exilado. Depois de um período na Bolívia, estabeleceu-se no Chile, onde foi assessor do Ministério da Educação local. Nesse período que escreveu sua principal obra, Pedagogia do Oprimido (1968), até hoje único livro brasileiro entre os cem mais lidos em universidades de língua inglesa, já traduzido para 20 idiomas. Considerando-se apenas os autores da área da Educação, é o segundo mais consultado em bibliotecas de língua inglesa do mundo. Com isso, Freire tornou-se o terceiro pensador mais citado internacionalmente na área das Ciências Humanas.

No mesmo ano, foi convidado para ser professor visitante na Universidade Harvard (EUA). Em 1970, depois de um ano em Cambridge, Inglaterra, mudou-se para Genebra, na Suíça, para trabalhar como consultor do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas. Na função percorreria, ao longo de dez anos, mais de 30 países, desenvolvendo projetos de alfabetização especialmente na África.

Freire retornou ao Brasil em 1980 e lecionou na PUC-SP e na Unicamp. De 1989 a 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo (SP). Faleceu em 2 de maio de 1997, poucos dias após lançar seu último livro, Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Ao todo, foi foi autor ou co-autor de 37 livros na área de Pedagogia e Educação. Em 2012, foi declarado, por lei aprovada pelo Congresso Nacional, Patrono da Educação Brasileira.

Prêmios e Publicações

Paulo Freire é o acadêmico brasileiro mais homenageado no Brasil e no exterior, tendo recebido, em vida e in memoriam, 48 títulos Doutor Honoris Causa, sendo 29 de universidades da Europa e da América – dentre as quais Harvard, Cambridge e Oxford –, além de centenas de outras menções e outorgas internacionais. Em 1986, foi agraciado com o prêmio Educação pela Paz, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), e, em 1992, com o prêmio Educador do Continente, da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A aplicação muito mais ampla de seu método no exterior do que no Brasil resultou na criação de institutos sobre sua obra na África do Sul, Alemanha, Áustria, Canadá, Estados Unidos Finlândia, França, Holanda, Itália, Inglaterra e Portugal. Estes e outros países seguem sua metodologia tanto no ensino fundamental como no médio e no superior. A Universidade de Oxford, por exemplo, a mais antiga da Inglaterra e uma das mais importantes do mundo, utiliza a metodologia freireana em seu programa de formação e preparação de professores, que tem duração de um ano.


FOTOS:
1) Mural da Escola Municipal Paulo Freire, do bairro Cidade Nova, Caxias do Sul – crédt: Claudia Velho

2) Educador Paulo Freire – crédt: Instituto Paulo Freire/divulgação

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