Memorial Randon vai contribuir para o fomento do turismo na região

Nilva Randon e David Randon colocam cápsula do tempo no interior da pedra fundamental do Memorial Randon - Crédito João Lazzarotto

Nilva Randon e David Randon colocam cápsula do tempo no interior da pedra fundamental do Memorial Randon – Crédito João Lazzarotto

O Memorial Randon é um antigo sonho e começou a ser materializado publicamente com o lançamento da obra “Os Olhos de quem vê”, que conta toda a trajetória de vida da família Randon, pelo menos para o grande público, uma vez que antes ficava restrito apenas às plataformas digitais e impressas das empresas Randon. A obra de 232 páginas foi publicada pela Editora Belas Letras e vale a pena ler.

No dia 8 de maio a família Randon reuniu a imprensa e apresentou o projeto e o lançamento da Pedra Fundamental do Memorial Randon, que terá entre tantas coisas, a história do transporte de cargas no Brasil, se fundindo também com a história de Caxias do Sul, pois são 70 anos de lutas e grandes evoluções no cenário nacional e internacional, colocando à disposição da comunidade, salas de pesquisa, videoteca, auditório com cadeiras removíveis, exposições, espetáculos e oficinas culturais, além de café bistrô e loja de souvenirs.

Três prédios históricos usados pela empresa Randon desde sua fundação, em 1949, locais que abrigaram a ferraria e a Mecânica Randon, serão reproduzidos no Memorial e irão disponibilizar documentos e objetos das empresas, acervos que contam sua trajetória, coletados desde o ano de 2000. “Não temos a pretensão de fazer uma réplica exata dos prédios, mas vamos procurar chegar o mais perto possível”, destacou a diretora-presidente do Instituto Elisabetha Randon, Maurien Randon Barbosa.

Ainda em vida o seu Raul, como era carinhosamente chamado por todos, já vislumbrava a possibilidade de deixar alguma coisa para as futuras gerações. Na última Festa da Uva foi montado um espaço especial contendo fotos, vídeos e depoimentos importantes sobre a pessoa do empresário e os ensinamentos que deixou a todos aqueles que conviveram mais de perto com ele.

O filho mais velho David Abramo Randon, que deixa a presidência das empresas, dando lugar ao irmão mais novo Daniel Randon parece ter encarnado o espírito guerreiro e afável do pai no tratamento e condução dos assuntos relacionados às empresas e também no convívio com todos aqueles que se aproximam em busca de uma palavra ou opinião.

David Randon, em tom de despedida da presidência, falou e agradeceu a todos os envolvidos na construção do Memorial Randon - Foto Laudir Dutra

David Randon, em tom de despedida da presidência, falou e agradeceu a todos os envolvidos na construção do Memorial Randon – Foto Laudir Dutra

“Se o pai estivesse aqui estaria muito feliz. Acredito que ele deva estar nos observando em outra dimensão. Na verdade quando se consegue deixar um memorial, uma obra onde você almeja a continuidade e as pessoas possam olhar toda a história e as dificuldades na concepção das empresas Randon ainda lá no início quando os nossos antepassados, meu pai Raul e o tio Hercílio deram o pontapé inicial, é algo que foge a qualquer tipo de expectativa ou especulação. Assim como nós temos, que a população também possa ter uma visão mais abrangente sobre toda a nossa trajetória, que se confunde e muito com a própria história da cidade de uma maneira geral, pois crescemos juntos. Acho que ela será importante para a comunidade de Caxias, Estado e para todos nós”, reitera, fazendo uma projeção sobre o desdobramento das obras que em seguida começam a sair do papel. “Temos os parceiros que estamos conversando sobre o investimento e esperamos ainda este ano iniciar essas obras e em dois anos no máximo poderemos disponibilizar para o grande público os espaços físicos. O nosso cronograma prevê que em meados do ano que vem tenhamos uma pequena amostra sobre os rumos da construção propriamente dita”.

Cápsula do tempo

Foi depositada junto á pedra fundamental do Memorial Randon, uma cápsula do tempo que será aberta daqui a 30 anos, quando a Randon completar 100 anos, decretando uma longevidade que poucas empresas atingem no Brasil. Dona Nilva Randon, viúva do seu Raul Randon, muito emocionada, acredita que a iniciativa vem ao encontro do desejo do esposo.

“Para mim é muito importante porque como eu acompanhei a trajetória de 70 anos, posso falar com propriedade. Houve um crescimento muito grande nessas sete décadas e um trabalho muito forte dos fundadores e a continuidade que os filhos e o grupo estão dando é fundamental para o crescimento profissional e pessoal de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. Que estes que vêm logo a seguir tenham o incentivo de estudar, de empreender, pensar no futuro e de buscar, dentro das suas possibilidades e de acordo com a sua capacidade, sua inteligência e sua força, aquilo que gosta e o que realmente sonha.

Não há instrumento para medir a falta que o Raul nos faz, pois a sua partida foi como ter tirado uma parte da gente, porque ele era uma pessoa que se projetava, que era bem visto, que todos tinham na sua figura um exemplo. Sua importância transcende, passa pela empresa, pela cidade, estado e pelo país, pois ele era ímpar na sua forma de ser e de estar inserido no lugar que ele mais gostava, que era junto à família, no convívio com os filhos, amigos e na sociedade de um modo geral”

O Memorial, assim que concluído, irá se tornar um centro de convergência para historiadores, educadores, estudantes, pesquisadores, promotores culturais,empresas parceiras, comunidade e, também,mais uma atração turística para a cidade de Caxias do Sul.

Texto Laudir Dutra

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