Alfabetização: a idade do corte

Agenor Basso

Com frequência nos deparamos com situações que a lógica nos leva a ter exclamações quase de espanto de tão absurdas que são, mas são invocadas como dogmas por comodismo ou ignorância mesmo da realidade.

O caso do chamado “idade do corte” para uma criança ser alfabetizada é um destes fatores que vai contra a lógica psicossomática da vida de cada criança, mas é cômoda para a área administrativa da educação regular em geral.

Todos nós nascemos diferentes. Com amadurecimento diferente para a vida. Com habilidades diferentes. Com cérebros  diferentes, mas a área da educação passa uma régua e bitola  todas as crianças… 4 anos e 11 meses, 5 anos e 11 meses .Que absurdo!

Que demonstração de comodismo administrativo. Uma incoerência diante da realidade que vivemos.  Parece até que as faculdades de Pedagogia e as Escolas Normais não possuem cadeiras de psicologia e nas Faculdades de Psicologia só existe um tipo de personalidade a ser estudada e o desenvolvimento tanto dos meninos, assim como das meninas é sempre igual a cada mês que passa e quando chegam na “idade do corte” então, podem ser alfabetizados pois  atingiram todos igual  amadurecimento  para serem alfabetizados.

Atualmente as crianças nos dão aulas de computador, de celular, de tablets e nós continuamos pedagogicamente dando demonstrações de cegueira diante de uma realidade que está a exigir mudanças, ou seja, exigir uma avaliação psicossomática, para constatar se criança está pronta ou madura para ser alfabetizada, caindo fora, da inadmissível e incoerente “idade do corte”. Como Professor Alfabetizador sempre fiz isto e em minha sala de aula sempre tive crianças com pouca idade sendo perfeitamente alfabetizadas, pois estavam amadurecidas para esta fase.

Quando nascemos, saímos de um ambiente agradável para um ambiente agressivo. Todos os nossos sentido passam a trabalhar para que possamos viver. Ao chegarmos próximo dos cinco anos as crianças deveriam estar amadurecidas para serem alfabetizadas, não é o “corte” que vai constatar esta realidade, mas uma avaliação psicossomática através dos oito Testes ABC de Lourenço Filho, não para classificar, mas para avaliar o estágio de amadurecimento individual em que se encontra a criança. É mais trabalho educacional? Sim, mas é o que a educação precisa e, também, os pais precisam, jamais o tal “corte”.

 

 

 

*Agenor Basso, Professor Alfabetizador, Bacharel em Direito pela UFRGS.

FOCAR VEÍCULOS.svg

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Captcha loading...