Alceu Barbosa Velho | ‘Não digo nem que sim nem que não, nesse momento não sou candidato a nada’

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Em entrevista ao portal do Jornal Ponto Inicial, WWW.jornalpontoinicial.com.br, o ex-prefeito Alceu Barbosa Velho, nome natural na corrida á prefeitura de Caxias do Sul, não negou nem afirmou a sua participação no processo eleitoral no próximo ano, deixou no ar a possibilidade de concorrer, mas afirmou que o partido trabalha no sentido de equacionar algumas coisas como coligação e dissidências. Acompanhe abaixo as ponderações de Alceu Barbosa Velho.

Ponto Inicial – Se amanhã não fosse mais possível apresentar o candidato do PDT para disputar as eleições 2020, hoje o seu nome já estaria homologado como candidato à  prefeitura de Caxias do Sul?

Alceu Barbosa Velho – Não digo que sim nem que não, na verdade hoje não sou candidato a coisa alguma, ainda estamos em conversações dentro do partido e não temos nenhum direcionamento que indique esta possibilidade. Se os prazos já estivessem esgotados, certamente já teríamos uma definição, pois o PDT é uma sigla de respeito e destaque dentro do cenário político municipal e nacional e sempre com o protagonismo.

Acredito que no momento oportuno teremos uma definição sobre os rumos que tomaremos. A bem da verdade, hoje na cidade temos notícia da candidatura do Adiló Didomênico do PTB que já se manifestou publicamente sobre a vontade de concorrer e só, nenhum outro partido definiu qualquer coisa. Não vamos atropelar nada, queremos uma definição onde todos sejam contemplados, com os mesmos direitos de manifestação internamente.

PI – Edson Néspolo tem falado reiteradas vezes que o seu nome está à disposição do partido, caso haja o entendimento, deixando bem claro a sua intenção em concorrer à prefeitura. Essa hipótese existe?

Alceu – Olha, se o Néspolo fizer um recall ele ganha a próxima eleição se for o candidato do PDT e num cenário de disputa contra Daniel Guerra. Especialmente se voltarmos no tempo e nos darmos conta de que o atual prefeito que o venceu na última eleição tem sido uma completa decepção, frustrando a confiança daqueles que votaram nele. Néspolo é um bom nome sem dúvida alguma, mas acredito que é prematuro definirmos agora. Temos um caminho longo pela frente e vamos definir como já reiterei, no momento certo essa questão. Uma coisa é certa, queremos ser protagonistas no próximo pleito e isso podemos afirmar sem medo de errar.

PI – O fato do MDB municipal definir Ari Dallegrave para presidir o diretório municipal do partido é um indicativo de que José Ivo Sartori pode disputar a prefeitura de Caxias do Sul?

Alceu – O Sartori pode concorrer para o que ele quiser, construiu uma história dentro da política, tem trabalho e o respeito de todos. Acho que é um indicativo, mas que talvez o MDB não esteja pensando na possibilidade de coligar-se com outro partido, pelo menos um desses que queira ser o cabeça de chapa, isso porque o então presidente do diretório municipal do MDB à época Ari Dallegrave foi contra a coligação com o PDT na eleição onde fomos eleitos como prefeito. Aliás, foi um dos fatores que fez com que ele se afastasse do partido por um tempo e só agora, passado todo o calor da disputa, volte a presidir a sigla. Mas em política nada é certo, tem muita coisa para acontecer até ser batido o martelo, até lá vamos discutindo internamente todas as possibilidades.

Diante do quadro político instalado no Brasil, alguns partidos teriam dificuldade em afirmar que poderiam vencer uma eleição sem o apoio desse ou daquele. Temos exemplos aqui na cidade e no Brasil de que ninguém vence uma eleição sozinho. O MDB e o PT são exemplos disso, passaram a governar depois da mudança de pensamento. Nós ao contrário, sempre buscamos aquilo que é o melhor para a cidade, trabalhar idéias e construir maneiras de governar em conjunto, sem com isso tendo que deixar de manifestar nossas posições e essência enquanto partido.

PI – O que o PDT tem feito internamente para equacionar questões como a manifestação de vereador Ricardo Daneluz que apresentou projeto de lei para acabar com o passe livre no transporte público urbano de Caxias do Sul e agora mais recentemente, se posicionando em favor da redução do número de vereadores. O senhor tem a noção de que isso, seja qual for a definição, virá à tona na campanha?

Alceu – Não temos nenhum tipo de ingerência sobre as opiniões e atitudes dos nossos vereadores, não é porque eles fazem parte do partido que tenham que deixar de expressar as suas opiniões ou tomar qualquer tipo de atitude. Acredito que cada um sabe o que é melhor para os seus eleitores ou para os munícipes e não fazemos juízo de valor sobre aquilo que eles falam ou fazem.

Sobre as discussões envolvendo o passe livre, tivemos enquanto governo conversações sobre os ajustes que poderiam ser feitos para coibir certos acontecimentos dentro dos coletivos nos dias de passe livre. Lembro que foram colocadas algumas situações onde os bondes atuavam inibindo o cidadão de bem no tocante à utilização e aproveitamento. Chegamos à conclusão de que o mais importante era manter o passe livre e combater a ação desses grupos, afinal de contas, o passe livre está amparado, pois trata-se de um Projeto de Lei aprovado na Câmara de vereadores.

Sobre o número de vereadores na câmara de Caxias do Sul a lei é bem claro e tem a ver com o número de habitantes da cidade. Tudo o que dissermos ou tentarmos fazer será apenas mera especulação sem embasamento legal.

PI – O senhor acha que exista rebaixamento na política e que alguém que já tenha alcançado cargos como deputado federal, Senador e Governador não vá se sujeitar a concorrer a outros ‘cargos menores’ como a prefeitura da cidade?

Alceu – Negativo, isso não tem nada a ver, quem tem a política no sangue não pensa assim. No Brasil existem alguns prefeitos de cidades do interior que já assumiram postos de governador, Senador e mesmo assim, decidiram concorrer a partir de onde começou. Claro que tudo é uma questão de momento político e pessoal, mas não tem esse viés de algo menor em detrimento disso ou daquilo. Muitas vezes a pessoa escolhe a sua cidade natal ou um lugar que se identifica para dedicar os seus conhecimentos e tenta ajudar da melhor forma possível.

PI – O próximo prefeito, seja ele quem for, terá muito trabalho pela frente, especialmente nas discussões dos rumos que as coisas tomaram a partir da gestão do atual prefeito, que fez algumas escolhas ruins equivocadas e mexeu na estrutura organizacional e funcional da cidade. Dentro das discussões internas do partido, isso também passa pela escolha do nome?

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Alceu – Infelizmente o caos foi instaurado, muitas das iniciativas que foram implementadas por várias gestões foram esquecidas, não existe nenhum projeto novo, o atual prefeito não apresenta, não conclui e não inaugura, como se a cidade tenha sido inventada no seu governo.

Esse desgoverno que aí está não tem projeto algum e simplesmente não deu continuidade àqueles que iniciamos no nosso governo. Ele sabe que fizemos muito por Caxias e deixamos vários caminhos abertos e iniciados, bastando apenas a pavimentação. Talvez isso seja um problema para ele, admitir que fomos nós que demos o pontapé inicial.

Já a partir do início de 2021, seja quem for o prefeito eleito, deverá sentar com a sociedade e as entidades representativas para traçar um plano de retomada do crescimento da cidade de Caxias do Sul. Precisamos voltar a dialogar com todos, buscar o melhor caminho para sairmos da estagnação em que estamos metidos.

Texto By Laudir Dutra

Foto Laudir Dutra – laudir43@yahoo.com.br

 

 

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