História e poesia se fundem no Complexo da MAESA

Fachada - Foto Miriam Cardoso de Souza

Fachada – Foto Miriam Cardoso de Souza

Fundir poesia nas tramas de uma história que ainda transcorre diante da comunidade caxiense é um dos propósitos de MAESA: poema arquitetônico, livro que a jornalista e ex-secretária de Cultura de Caxias do Sul Rubia Ana Mossi Frizzo autografa dia 19 de novembro, na Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, na Casa da Cultura. Mais do que revelar a história da “empresa mãe” da indústria metalúrgica de toda a região e uma das maiores de Caxias, a obra discorre sobre o processo de transformação da MAESA – Metalúrgica Abramo Eberle S/A – fábrica 2 em um espaço cultural, de convivência e de lazer para a comunidade.

MAESA: poema arquitetônico resulta de um ano e meio de estudos e pesquisas sobre a trajetória industrial da MAESA e a projeção da revitalização de seu complexo como importante equipamento histórico cultural, além de fazer o registro do trabalho da comissão criada para definir o uso daqueles espaços, conforme cláusula da lei de doação. Ao longo de 168 páginas, Rubia transcende o levantamento de importantes informações, análises e interpretações para representar o prédio da MAESA em acontecimento ativo, patrimônio da comunidade caxiense, tombado e legado às futuras gerações. “Acredito que o livro materializa um momento de grande união da comunidade caxiense em torno de um mesmo ideal, a preservação de um bem cultural que pode e deve ser revitalizado, já que a geografia de uma cidade é uma possibilidade aberta para a descoberta de novos significados”, destaca a autora.

Por duas vezes presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Caxias do Sul, Rubia também coordenou a Comissão Especial para a Recuperação, Ocupação, Uso e Gestão da MAESA, designada pelo Decreto-Lei n% 17.284/2014. Nesse sentido, coleciona informações significativas sobre o tema, complementadas por sensíveis avaliações de uma legítima militante em prol da valorização histórico-cultural. “O fato de eu vir a ocupar o cargo de Secretária da Cultura, na sequência dos trabalhos de coordenadora da Comissão, permitiu-me atuar em íntima conexão na mobilização para a recuperação daquele patrimônio e tornou-me depositária de uma série de informações que desejo compartilhar agora, com o maior número possível de pessoas, por meio deste livro”, enfatiza Rubia.

Após quase um ano de intensas atividades da Comissão, entre reuniões, audiências públicas, seminários e palestras, foi entregue ao governo do Estado o Plano de Ocupação da MAESA, que permitiu a transferência do patrimônio para o Município de Caxias do Sul. O livro também versa sobre os acontecimentos ocorridos no período dessa mobilização e o trabalho da Comissão. Aborda também, de forma resumida, a chegada da família Eberle ao Brasil e a trajetória de Abramo Eberle, cuja biografia se mescla com a própria história de Caxias do Sul.

Com apresentação do filósofo Jayme Paviani, MAESA: Poema Arquitetônico mostra o plano de uso para os equipamentos (terreno e prédios) da MAESA concebido pela Comissão e pela comunidade, entregue ao governo do Estado do RS como cláusula da lei de doação, que resolve questões importantes para a cultura e o turismo de Caxias, como a instalação de um grande centro de eventos, um palco em proporções adequadas ao tamanho da cidade e um mercado público com espaço para gastronomia, dentre outros. “Não é fácil escrever uma espécie de relatório de circunstâncias, de atividades que envolvem, ao mesmo tempo, história e descrições atuais. Rubia dá conta do recado. Ela entrou muitíssimas vezes no prédio da MAESA, reuniu-se com centenas de colegas e profissionais, tem a sensibilidade de redigir essas notas para deixar registrada a passagem da indústria do passado para os processos culturais do presente. O texto faz-se um testemunho vivo das mudanças”, elogia Paviani. “E para que não fique no esquecimento dos tempos o verdadeiro conceito de uso desse projeto, um espaço civilizatório que leve em conta o passado com vistas ao futuro, usado para a alfabetização patrimonial e para o exercício da convivência e da sociabilidade”, complementa Rubia.

O livro MAESA: Poema Arquitetônico tem financiamento da Lei Municipal de Incentivo à Cultura por meio do apoio dos Supermercados Andreazza, Visate, Hotel Cosmos, DRSul e Âmbar.

Saiba mais

– A inauguração da MAESA, em 1948, quando o império de Abramo Eberle completava 52 anos, sinalizou a fase de maior expansão da empresa. Na fábrica 2 concentravam-se os trabalhos de mecânica, fundição, forja e produção de talheres. Lá foi realizado, entre outros importantes e significativos projetos, o trabalho de fundição das portas da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré de Belém, no Pará, e das estátuas de bronze do Monumento Nacional ao Imigrante, inaugurado pelo presidente Getúlio Vargas e hoje símbolo oficial de Caxias do Sul.

– O complexo de prédios da MAESA – fábrica 2, está erguido numa área de mais de 53 mil metros quadrados, cuja localização é compreendida entre as ruas Plácido de Castro, Dom José Barea, Pedro Tomasi e Treze de Maio.

– Os prédios da fábrica 2 da Metalúrgica Abramo Eberle S/A – MAESA foram entregues ao Estado do Rio Grande do Sul em adjudicação por conta de tributos devidos. A Lei de doação (14.617/2014), porém, estipulou uma série de requisitos a serem cumpridos pelo Município para que a transferência se efetivasse. Dentre eles a finalidade de uso e a necessidade da entrega, em 1 ano, a contar da data da Lei, de um Plano de Ocupação para o local. No mesmo ano foi criada a Comissão Especial para Análise de Uso da MAESA, por meio do Decreto-Lei nº 17.284/2014, da qual Rubia Frizzo foi coordenadora.

*Fonte: MAESA: poema arquitetônico

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