Histórias | A praça é minha, é sua, é de todos nós!

 

Por Laudir Dutra – laudir43@yahoo.com.br

 

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Vendo o burburinho que se forma em torno do chafariz percebo que a vida pulsa na praça, ela, a vida diz dos segredos que escondem as pedras irregulares que dão suporte ao piso com tantas histórias da Dante Alighieri.

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Fico a imaginar o quanto significa um coração pulsante em qualquer cidade, especialmente as do interior, assim como a nossa Caxias do Sul, nem sempre vamos ver beleza, muito menos arquitetura de dar inveja a qualquer obra do Oscar Niemeyer, mas teremos sempre acolhida, guarida, a mãe de todos como uma espécie de confidente que ouve em silêncio e tem o diagnóstico e a cura, numa espécie de psicólogo, clínico geral e cirurgião que arranca de dentro de nós os males que nos afligem e as razões que nos levam até ela.

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Muitas vezes tentaram tirar o direito nosso de estar ali, de viver ali e de sentir dali a energia que precisamos para retornar para casa. Aos poucos vão tirando a sombra das árvores, vão tornando mais elitizado o espaço, numa tentativa velada de nos constranger. Querem nos confinar.

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O nosso olhar sobre as pessoas e os pombos não são simplesmente olhares de desdém ou de indiferença, nos sentimos donos e protetores de tudo o que cerca este espaço que não tem cerca, nem limites e muito menos cerceamento do nosso livre arbítrio de simplesmente tomar um ônibus no bairro para estar no centro e sentir a brisa no rosto.

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Algumas pessoas se acostumaram a ouvir as badaladas dos sinos da matriz, especialmente a meio dia e no final da tarde, quando o sol está se pondo e numa espécie de recolher, me encontro dentro daquele som que chega a fazer eco dentro do coração. A mente também viaja, nos remete aos nossos antepassados, lá na cidadezinha do interior, do nosso nascimento, da nossa infância e dos nossos pais.

Um sorvete convidativo de casquinha ou cascão é o aperitivo das crianças, dos adultos e de famílias que vão em massa para a praça saborear a vida e dizer a todos os outros frequentadores que eles não estão sozinhos, que ali é o ponto de encontro de todos aqueles que de alguma forma, precisam estar ali, seja por conveniência ou por necessidade, por puro gostar mesmo.

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Avaliando as possibilidades e as necessidades de cada um, pensando que em casa o clima não estava bom, a cabeça cheia de problemas, o coração apertado por um amor que se foi, outro amor que está por chegar e a esperança de encontrar um refúgio, não queria estar em outro lugar a não ser aqui, na praça, coração que cabe todos, espaço que me faz sentir dono das coisas públicas que o público me consagrou.

Qualquer domingo desses eu voltarei, assim como faço quase todos os dias e tomara que seja para despejar a minha alegria, tomar um sorvete, esperando ter sempre a acolhida das aves que voam livremente, que não tenha que ouvir nenhuma cena que me faça ainda mais angustiado, que ao olhar para o lado eu encontre pessoas sorrindo, nem que seja para esconder as suas angústias, mas que naquele momento, é tudo o que elas têm, afinal, as válvulas de escape muitas vezes são os antídotos escolhidos em meio a tanta gente que fazem uso coletivo de um bem maior do que a nossa própria necessidade de estar ali.

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A praça será sempre minha, é nossa, é de todos, porque juntos a acolhemos e preservamos o seu espírito, a sua alma. Mesmo que os mais humildes são aqueles que dão vida à praça, as riquezas contidas ali, nenhuma pessoa, por mais abastada que seja, possui!

Foto Laudir Dutra

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