Residentes pelo mundo atestam necessidade de recolhimento da população

Catia

Catia Bosson

UCSfm vem colhendo testemunhos de brasileiros que moram em outros países que confirmam: ficar em casa, restringir comércio e subsídios do governo são medidas mundiais de contenção da pandemia da Covid-19

Ficar em casa enquanto são mantidos funcionando os serviços essenciais e o governo procura dar suporte ao sistema de saúde e socorrer trabalhadores, profissionais liberais e empresários com subsídios econômicos são as principais medidas por meio das quais  países de outros continentes têm procurado conter um avanço ainda maior da pandemia da Covid-19 no continente. As informações provém de moradores da região que hoje residem pelo mundo em depoimentos colhidos pela UCSfm ao longo de toda semana.

Diego

Diego Gazaro

O material vai ao ar diariamente, às 7h30 no programa Café com Notícias, apresentado pelo jornalista Eduardo Borile Júnior, responsável pela produção junto com o comunicador Anderson Madalosso. Na manhã desta quarta, dia 25, foram ao ar as entrevistas com Klisman Eberle, inspetor de qualidade de uma empresa em Bérgamo, epicentro da epidemia na Itália; Diego Gazaro, doutorando em Administração em Bolonha, no Norte da Itália; Emílio Caio Ferasso, jornalista que reside em Lisboa, Portugal; e Catia Bosson, enfermeira em Zurique, Suíça.

Klisman

Klisman Eberle

Desde segunda foram ao ar relatos do padre Leonardo Dall Osto, que mora em Roma, Itália; de Mariana Vila Belmonte, gerente de compras que vive em Kuala Lumpur, capital da Malásia; Andressa Rigotti, relações públicas que reside em San Gwann, Malta; e dos jornalistas Evandro Fontana, que mora em Milão, Itália; Robin Siteneski, em Nova York, EUA; e Thaís Baldasso, atualmente em Madri, capital da Espanha.

Confira, a seguir, uma síntese dos depoimentos desta quarta. O material completo pode ser acessado no site da UCSfm. As entrevistas prosseguem nesta quinta, 26, e sexta, 27.

 

 ‘A Itália demorou a entender a gravidade da situação

“Bolonha, no Norte da Itália, capital da Emiglia-Romagna, é segunda região mais afetada do país pelo coronavírus. Aqui as atividades começaram a ser suspensas no final de fevereiro, e a cada dia novas restrições foram sendo impostas para conter a disseminação do vírus. Posteriormente, as cidades mais afetadas, que ficam bem próximas de Bolonha, dentre as mais conhecidas Milão e Veneza, foram fechadas, e logo o país inteiro fechou também. Estamos entrando na terceira semana de quarentena total e estão funcionando apenas os serviços essenciais, como supermercados, farmácias, bancos, transportes e serviços críticos de produção. Afora isso as pessoas só podem sair de casa ou por necessidade médica ou para ir ao mercado ou farmácia.

A tendência agora, segundo as autoridades, é que as infecções comecem a diminuir, possivelmente a partir dessa semana. Porém, se cogita que o período de quarentena possa se estender pelo menos até maio, com as atividades sendo retomadas aos poucos, conforme a situação for melhorando. Como vem sendo bastante divulgado pela mídia, a Itália demorou a entender a gravidade da situação e por isso ela acabou se agravando. Nos últimos dias o governo italiano anunciou 25 bilhões de euros para combater a doença, e outras medidas, como a suspensão do pagamento de hipotecas e de empréstimos bancários”. Diego Gazaro, doutorando em Administração, residente em Bolonha, Itália

 

‘O cenário é muito triste e silencioso’

“Bérgamo é a cidade italiana mais atingida pela Covid-19. Aqui o cenário é muito triste e silencioso. O governo está restringindo ao máximo as pessoas saírem de casa. Está proibido o acesso a parques, áreas de lazer e jardins públicos, sendo aplicadas multas de até 5 mil euros para infratores. Também foi delimitada a distância mínima de 1,5 metro a 2 metros entre as pessoas. Esperamos que esse filme de terror termine o mais breve possível”. Klisman Eberle, inspetor de qualidade em Bérgamo, Itália

 

‘O controle está acontecendo por causa das medidas adotadas pelo governo’

“Portugal é um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Até a data de hoje são 2.362 casos confirmados. Entre os suspeitos e os que estão aguardando resposta das instituições de vigilância são quase 30 mil, em 24 cadeias de transmissão. São 31 mortes até agora, lembrando que esses números têm aumentado dentro da média feita por um instituto daqui que prevê, até o dia 31 de março, no pior dos cenários 48 mil casos, e no melhor, 16 mil casos. Felizmente o controle está acontecendo por causa das medidas adotadas pelo governo. O cálculo era de 2.200 casos até hoje, então, está apenas um pouco acima.

As medidas do governo foram o cancelamento das aulas na primeira semana de março, atualmente feitas por meio digital. No dia 19 de março foi decretada situação de emergência. Desde então não é recomendado que as pessoas saiam às ruas, apenas aquelas que têm que trabalhar. Muitas das empresas estão fazendo home office ou um dos pais fica com os filhos em casa. Os transportes públicos estão funcionando, mas com as catracas liberadas para que haja o mínimo contato. Shoppings Centers, lojas e qualquer tipo de comércio que não seja essencial estão fechados.

O que se vê é um país deserto. É autorizado que a gente saia para mercado, farmácia, posto de saúde na zona onde a gente mora. Para passear cães e fazer algum exercício pode no máximo duas pessoas por vez. Inclusive 27 pessoas foram presas por desobediência, porque saíram de casa sem justificativa. Portugal adotou então esse sistema rigoroso justamente para manter a curva de subida atenuada.

Vale lembrar também que alguns apoios foram decretados. Algumas empresas vão ter ajuda do governo para conseguir pagar suas contas. Profissionais liberais vão receber a média dos últimos seis meses para poder ter alguma receita. Os bancos vão dar carência de seis meses para o pagamento de dívidas habitacionais e de crédito pessoal. Além disso foi anunciado que a partir de quinta (26) o governo fará teste de Covid-19 para todos os cidadãos que liguem para o Sistema Nacional de Saúde e que apresentem apenas um dos sintomas.

O povo português está colaborando bastante, ficando muito em casa. Por isso a dica que eu dou é uma só: fique em casa, evite contato com pessoas por enquanto. Se podemos levar uma lição disso é que precisamos começar a pensar mais nos outros, e isso está acontecendo agora. Está sendo comum aqui ver as pessoas se apoiando, indo no mercado para os idosos, então, que esse espírito de entreajuda continue por muito tempo e que possamos mudar de conceitos”. Emílio Caio Ferrasso, jornalista e empresário em Lisboa, Portugal

 

‘Sim, é muito sério. Se cuidar é solidariedade com o próximo’

“Atualmente temos quase 9 mil infectados na Suíça e 86 mortes. Os casos continuam aumentando, em uma semana foram 6 mil novos, mas como nem todo mundo está sendo testado, então acredita-se que existam bem mais. Nem todo mundo é testado porque a demanda nos laboratórios é muito grande. No país faz mais de uma semana que está tudo parado. As escolas fecharam, logo depois os serviços não essenciais, comércio, shoppings,… O que permaneceu foram supermercados, farmácias, bancos e postos de gasolina. Os hospitais e as casas de idosos não podem receber mais visitas. As únicas exceções são para quem está em fase terminal, que a família pode entrar uma última vez, e as gestantes, que podem ter um acompanhante durante o parto.

A companhia de transporte público também já diminuiu as ofertas. Quem pode está fazendo home office, que é uma recomendação oficial. O governo é bem presente e transparente, divulga bastante informação sobre a doença e agora está trazendo de volta os suíços espalhados pelo mundo. Eu estaria indo com minha família para o Brasil, mas decidimos não ir e logo depois a companhia aérea também cancelou os voos.

Uma coisa que todo mundo já ouviu, mas é importante de dizer, é sobre ficar em casa. Aqui a gente não encontra mais ninguém na rua. Eu vejo nas redes sociais do Brasil galera na praia, fazendo festinha, mas quarentena não são férias. Quarentena realmente é para ficar em casa, é para se cuidar, e uma questão de solidariedade com o próximo, com os idosos e com as pessoas que a gente gosta. Muita gente vai pegar, muitos não vão nem notar, porque sequer vão ter sintomas, ou terão leves, como um resfriado comum (o que não é). Mas para quem fica doente com a Covid-19 pode ser fatal.

Para todo mundo que me pergunta da situação aqui e se realmente é para ter medo e levar a sério eu digo: sim, é muito sério. E está também nas nossas mãos a responsabilidade de frear tudo isso e proteger as pessoas que a gente gosta. Então o meu recado é: fiquem em casa, lavem bastante as mãos, evitem contato com as pessoas. Na realidade, é um bem que se faz para todo mundo. Fiquem bem, se cuidem e fiquem em casa”. Cátia Bosson, enfermeira em Zurique, Suíça  

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