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Caxias do Sul,23/04/2024

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Laudir

Eu choro por ser negro...

Arquivo pessoal
Eu choro por ser negro...

Não que isso tenha importância diante das minhas raízes intactas e merecedora das maiores homenagens, pois afinal, sou negro, sou lindo e sou aquele que mais sofre por ser o fiel da balança de gerações de gente que hoje se intitula dona do Brasil.


Foram os negros que com seu suor e dedicação muitas vezes forçados pela crueldade e aspereza da chibata, ajudaram a colonizar nosso país, serviram de escudo para as dificuldades de senhores feudais, que viam na mão de obra escrava, uma forma de driblar as suas dificuldades onde a força era necessária.


Choro sim por assistir estarrecido que ainda no século XXI o racismo está bem latente e que basta instigar a contrariedade das pessoas para ele ressurgir ainda mais forte, mais cruel. Muitos desses que dizem que não são racistas, escondem as suas máscaras por baixo do rosto e que estão ali esperando a oportunidade para se manifestar, para aflorar a sua verdadeira identidade. Racista!


Todos nós estamos expostos, desprotegidos e diante das circunstâncias perversas, deixamos de viver a nossa verdadeira vida, nos escondemos, não participamos mais ativamente da vida em sociedade, deixamos de ser nós mesmo pela imposição de estereótipos por uma sociedade perversa e de característica danosa que empurra-nos para a clausura, nos rotula, nos repele e tenta nos colocar no lugar que não deveria ser uma regra e sim um lugar comum.


Vendo um torcedor xingar os jogadores de macaco e um juiz conivente aplicando o cartão vermelho a um jogador ofendido, me dou conta de que no final das contas, o racismo já começou por aquele que deveria ser o mais sensível de todos e entender o que estava acontecendo. Não o fez, preferiu se eximir e jogar para a torcida, pois naquele momento ele entendeu que a torcida estava sendo ofendida e não o jogador, que é ser humano, que sente, que tem sensibilidade e que sabe o seu lugar na sociedade. O choro, o clamor e a solidariedade dos adversários em campo não foram o suficiente para demover o árbitro de retirar o cartão vermelho ali mesmo, em campo, diante dos olhos de um estádio inteiro, pelo simples fato de que o ofendido fora o atleta e não o torcedor.


Choro sim por ser negro e incomodar tanta gente que não aceita que diante de qualquer tipo de parâmetro, somos todos iguais, as oportunidades e as medidas deveriam ser as mesmas, não dá mais para conceber tamanha disparidade de pensamento, acho que está mais do que na hora dos negros entrarem nas frentes de trabalho, de lazer e de qualificação pela porta da frente. Não é uma situação de quota que vai restabelecer a nossa dignidade.


Fico aqui imaginando e me coloco na pele de todas as cores, de como seria melhor se eu não precisasse entender o porquê de nas mais variadas profissões eu tenha que ser preterido pelas indicações de parentes, de amigos, de sobrinhos, de tios, de primos, não posso crer que a minha melhor qualificação tenha que ficar assistindo a escalada da mediocridade e a falta de comprometimento de diversos ditos profissionais nas frentes de trabalho em detrimento de uma justiça social mais ampla, onde os melhores são prioridades e os piores que se preparem mais e que venha com a faca entre os dentes para conquistar o seu espaço, porque daqui, do alto da minha observação mais ampla, a competição deve ser justa e as oportunidades devam ser favorecidas àqueles que querem mais do que a maioria descomprometida.


O caso de racismo no futebol dói tanto e me comove ao ponto de levar às lágrimas e justamente em cima de seres humanos que são bem pagos, que têm uma condição social acima da média, que ganham elevados salários e que jogando três, quatro meses, podem se dar ao luxo de se aposentar pelo montante recebido, mas posso imaginar quando isso acontece com aqueles que estão na parte de baixo da pirâmide, que muitas vezes não têm ao menos uma renda fixa, que buscam desesperadamente o sustento de sua família e que literalmente precisam vender o almoço para pagar a janta.


Definitivamente, choro, me enterneço e compartilho com todos a minha indignação e repúdio qualquer tipo de discriminação, especialmente àquelas que vêm carregada de ódio, pois não vejo nenhuma que não tenha na sua essência, esse ingrediente tão danoso e nocivo!


 


By Laudir Dutra



COMENTÁRIOS

Ninguém tem culpa de nascer assim ou assado. Não se pode chorar por ser negro, porque fica a impressão de que não gostaria de nascer negro. Entende-se o sentido da expressão, como desabafo pelas injustiças sofridas. Mas o ser humano é assim mesmo e não vai mudar a sua forma maléfica de menosprezar o seu semelhante.O preconceito, a discriminação racial e o racismo estão presentes nas sociedades mundiais. E nenhuma lei via corrigir o problema.

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