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Caxias do Sul,20/07/2024

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Imigração Italiana e sua descendência | David Pandolfo e sua casa comercial, no km 45/Riozinho/RS

Fonte: Ari Caberlon/Elisete Luiza Masera
Imigração Italiana e sua descendência | David Pandolfo e sua casa comercial, no km 45/Riozinho/RS Venda de David Pandolfo no Km 45, Riozinho, RS


Comentários iniciais,

Em 13-09-23 recebi a seguinte pergunta pelo whattsap:  "tu conheceste o Armazém do David Pandolfo, no km 45 em Riozinho?" Claro, foi minha resposta. Daí, dediquei algum tempo, objetivando retratá-lo, tanto o armazém quanto seu proprietário. Assim, iniciei buscando sua ascendência, tendo por base relatos já publicados no O Pioneiro, pela mesma pessoa da pergunta inicial, prosseguindo com dados obtidos sobre onde era localizado referido armazém, seja de conhecimento próprio, ou buscado através de informes pessoais de descendentes dele, como também citações constantes do livro “Rolante, Rio que Gera História", de José Alfredo Schierholt. Concluindo com depoimentos de terceiros e também de seus descendentes. Foi uma gratificante experiência buscar e trazer ao conhecimento geral atos e fatos ocorridos naquela localidade, motivo de orgulho aos descendentes de David Pandolfo. Revelo aqui a gênese da Procissão e Festa de São Cristóvão, nos municípios de Riozinho e Rolante, entre outros pontos curiosos e hilários. Se tais acontecimentos eram conhecidos por alguns, agora ficará registrado na história e todos terão acesso sobre quem foi David Pandolfo, seus feitos e de seus herdeiros.

 Vale lembrar que o primeiro artigo publicado, em 12/11/2023, neste conceituado Jornal Ponto Inicial, pela pesquisadora Elisete Luiza Masera, foi abordado o tema: “Imigração italiana: a trajetória de Giuseppe Pandolfo e o filho David   Pandolfo, na antiga colônia Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, RS”

Registramos agora a segunda parte da história que foi realizada por Ari Caberlon, e será publicada em dois momentos: "Imigração Italiana e sua descendência - David Pandolfo e sua Casa Comercial, no Km 45, Riozinho/ RS." parte 1/2 e“ Fatos Pitorescos; casos e causos” parte 2/2.

Que rica e linda história estamos vivenciando, ao descobrir e trazer ao conhecimento geral a trajetória de DAVID PANDOLFO, de seus ascendentes e descendentes.

Da Itália, de onde vieram seus ascendentes em 1.885, ao Rio Grande do Sul. Do interior de Bento Gonçalves, onde nasceu em 13-09-1900, ao interior do atual município de Riozinho, através das comunidades de Chuvisqueiro, aonde mudou-se aos 17 anos, e um ano após um novo endereço, na comunidade do KM 45, onde viveu por 64 anos, construiu seu comércio, constituiu família e veio a óbito em 24-11-1981, com 81 anos de idade bem vividos.

1 Ascendência:

O sobrenome Pandolfo é originário de Montebelluna/Treviso/Itália (pertinho de Veneza e a caminho dos Alpes italianos, Belluno, etc, cuja linda cidade visitamos em 30-09-2009).


– Localização de Montebelluna/Treviso/Itália, visto no mapa do Google Earth.

Em 16-10-1885, chegou de navio ao Rio de Janeiro, quando desembarcaram os patriarcas Bortolo Pandolfo e Ângela Dal Broi com dois filhos e dois netos. Foram residir na antiga Colônia Dona Isabel (Bento Gonçalves), mais precisamente na Linha Faria Lemos (aonde também residia a família Dal Castel, cuja filha, Maria Rosa veio e contrair matrimônio com Dileto Pandolfo, em 04-06-1960).

1.1 Os dois filhos eram o Pascoale, nascido em 14-04-1822 e o Luigi, em 26-05-1824. Pascoale casou-se com Ângela Bataglia. E Luige, com Maria Parisotto, com seus dois filhos (netos dos patriarcas), o Giuseppe e o Ângelo Gaspar.

1.1.1 Giuseppe (nascido na Itália em 1860), por sua vez, casou-se com Maria Magdalena Pavan (*1869) e tiveram vários filhos, entre os quais o David, razão deste relato.

Obs.: Alguns informes fornecidos por Dileto Pandolfo estão sinalizados com (@)

01. Amábile, casou-se com Santo Victorio Basotti. (@ filhos: Lino, casado com Maria Dal Castel; Genoveva, com Severino Dal Castel; Otávio, com Lurdes Sartori; Gomercindo, com Ivone Sartori; Derico, com Alzira Sartori);  02. Guerino, com Filotéia (@ filhos; José, Balduino, Arlindo, Elsa); 03. Ângelo, com Luiza Lamperti;  04. Ricardo, com Anna Marcon (@ filhos Atalíbio casado com Irene Tadiotto; Luiz -sócio  Rolantense/SP, com Elsa Pressi; , Arlinda, com José Bazei; Olga, com Ângelo Pressi, sócio da Rolantense; Avelino, com Iolanda Casamali; Altério - sócio Rolantense/Poa, com Inês Tesser;  Idoino, com Amália  e Danilo, com ... Tadiotto); 05 -Luiz, com Melita (@ filho Hilário, Sibila=filha anterior); 06. David, com Angelina Brambilla. (Vide detalhes de sua descendência adiante); 07. Ricieri, com Leonora Lamperti; 08. João, com Jacomina Casamali; 09. Arlindo, com ...; 10. Anísio, com Paulina Lamperti; 11. Dionísio(?); 12. Orestes Pandolfo (nasc.1902) casado com Pasqualina (sem informações do sobrenome). Tiveram os filhos: Olino Pandolfo, Abilio Pandolfo e Cecilia Circe Pandolfo. Vale lembrar que Orestes Pandolfo teve segundo casamento com Victoria Paim. Tiveram os filhos: Odete Pandolfo, Morena Pandolfo e Oreste Pandolfo13. Afonso, (nasc.28/08/1890); 14. Angelina Brígida, com Antonio Basi ;15 Ernesto Pandolfo (nasc.05/03/1898).

1.1.2 Por necessário à compreensão, trazemos também parte da descendência de Pascoale Pandolfo, casado com Ângela Bataglia. Seu filho, Giovanne (João) Pandolfo, uniu-se em matrimônio com Carlota Pavan. O casal teve os seguintes filhos:

01 Guerino (@fundador da Ind de Ferramentas Pandolfo S/A, em Riozinho, ora, em Parobé); 02 .Mansuetto casou-se com Victoria Tadiotto em 22 de março de 1920, nascendo dessa união os filhos: Nildo Pandolfo (casado Mafalda “Cecilia” Masera);  Arlindo Pandolfo (casado com Sezira Masera); Alcides Pandolfo (casado com Ernestina Sbardellotto); Adelino Pandolfo (casado com Zeli Reck); Amabile Pandolfo (casada com Anísio Prezzi); Carmelina “Isa” (casada com José Menegaz) e Diletto Pandolfo (casado com Albina Paraboni); 03 Amábile; 04 Davi; 05 Maria; 06 Severo; 07  Ângelo (@casado com Angelina Smaniotto, pais da Realda, Iria e Irani, em Riozinho); 08 Albino (@fundados da ex-Açopan, em Riozinho), casado com Elvira Lucini (filhos: Alcides, Dirceu, Aldaci, Lorena, Sérgio e Carmen); 

(fonte: artigos elaborados pela filósofa e publicitária Elisete Luiza Másera e publicados no jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul, a saber:

1 Imigração italiana: origens da família Pandolfo   Irmãos Pascoale e Luige Pandolfo se estabeleceram na antiga Colônia Dona Isabel, atual Bento Gonçalves, em 1885 28/05/2021 - 13h35min e

2 Imigração italiana: a trajetória de Luige Pandolfo   Família chegou à antiga Colônia Dona Isabel, atual Bento Gonçalves, em 1885   14/06/2021 - 10h30min).

2 Descendência;

David e Angelina tiveram 6 filhos  (os dois primeiros já falecidos):

2.1 Victório (*28-10-1926 + 28-03-1998), casou-se com Nelita Caberlon (*31-05-1932 + 24-05-1990) filhos: Nilva, Silvio, Gelson, Sílvia e Jaime; Nilva casou-se com Jair Geib: filho Eduardo Pandolfo Geib. Sílvio, com Maria Angélica Pandolfo: filhas Cristiane (filhas  ) e Roberta; Gelson, com Deise Gutheil: filhas Stefânia (filha: Ana Laura Maus) e Victória;   Sílvia, com Paulo Benetti. filhos: Maria Emília (Júlia e ), Ernesto e Ana Laura (filha  );   Jaime (solteiro). 2.2 Elsa (* 1928, + ... ), casou-se com Lino Lucini (filhos Marlene, Hermes e Margarete – os nomes dos filhos destes não foram informados); 2.3 Ignês (reside em Riozinho/RS), casou-se com Armando Facchin (filhos: Fábio, Regis Arlete, Ronaldo e Katia – os nomes dos filhos destes não foram informados ); 2.4 Dileto (reside em Taquara/RS casou-se com Rosa Maria Dal Castel (filhos: Rosângela e Rogério); Rosângela casou-se com Paulo Altafer. filhos Gabriel e Lucca; Rogério, com Luciana Reinhardt. Filhos: Luigi e Costanza; 2.5 Orestes, (reside em Canos/RS), casou com Leni Bernardes (filho: Geovane, casado, mora em SP, tem 3 filhas;2.6 Onorina (reside no KM 45/Riozinho/RS), casou-se com Angelin Del Castel: filhos: Leandro, Ivana, Silvano e Jordani – os nomes dos filhos destes não foram informados.        

3. Família PANDOLFO em Chuvisqueiro (fonte: relatos publicados por Elisete Luiza Maserq, constantes ao final do item 1 acima)

A família Pandolfo morava em Faria Lemos, interior de Bento Gonçalves, desde quando imigraram da Itália, em 1885. Lá, os Pandolfo viveram até meados de 1917, quando começaram a se espalhar por localidades como Riozinho, Santo Antônio da Patrulha e Guaporé.

Os descendentes de Luige e Pascoale Pandolfo tiveram importante papel no desenvolvimento da colônia de Chuvisqueiro, junto ao distrito de Riozinho, então pertencente ao município de Santo Antônio da Patrulha. Atuaram na cultura do tabaco, na hotelaria e no comércio. Segundo Elisete, foi José Pandolfo quem doou o terreno para a construção da Igreja São Luiz – a primeira, em madeira, surgiu ainda em 1921, enquanto que a de alvenaria foi erguida nos anos 1950. Ele também doou o terreno para a edificação da escola da localidade. O Sr Dileto Pandolfo (@) lembra ter carregado 6.000 kg de cal para mistura com argamassa, de Rio Pardo ao Chuvisqueiro destinados à construção da nova capela, nos anos 60.

4 A casa comercial de DAVID PANDOLFO no KM 45

4.1 – Suas Origens (alguns informes dados por Dileto Pandolfo @)

Na vila de Chuvisqueiro trabalhavam na lavoura. Passado algum tempo, os irmãos mais velhos, Guerino e Luiz, resolveram mudar-se para o KM 45, a fim de montar um comércio e açougue. O negócio ia muito bem, mas o Guerino era muito bondoso com os clientes. Vendia, mas não sabia cobrar. Passado algum tempo, o resultado negativo apareceu. @

Foi quando o nono David, com 18 anos, resolveu comprar o comércio e o açougue, pondo ordem na casa. Enquanto o Luiz colocou uma ferraria na própria localidade do KM 45. E o Guerino foi residir em Riozinho, onde construiu um alambique e moinho à beira do rio, cuja rua de acesso é ao lado do atual Hospital de Riozinho. @

A sede municipal de Riozinho, fica próximo ao nível do mar, enquanto dista 7 km de Chuvisqueiro (a caminho do município de São Francisco de Paula) e 5 km do KM 45 a caminho do litoral gaúcho). Essas localidades situam-se em locais elevados em relação ao nível do mar e em encostas de morros, semelhantes às existentes no País de origem. A ligação entre si se dá por estradas de chão batido, exceto uns 2 km já asfaltados entre Riozinho e o KM 45.

“À procura de agulha ou avião? Vem que aqui tem!”, poderia ser o slogan para sintetizar a casa comercial acima.

- “Sem falsa modéstia, era o ponto comercial mais forte nas décadas de 40 a 60 do século passado, na região de Riozinho, município criado em 10-04-1988, tal a variedade de produtos agrícolas, ferramentas e manufaturados ali disponíveis aos moradores e forasteiros.”@

Fundada em 01-02-1939, conforme Certificado do Cartório de Registro de Imóveis de Santo Antônio da Patrulha, então município-sede, como segue (documento fornecido por gentileza de Rogério Davi Pandolfo, neto do Nono David):


Na foto, o Registro da Casa comercial de David Pandolfo no Cartório de Registro de Imóveis de Santo Antônio da Patrulha/RS

4.2 – Localização do estabelecimento, população local e outros dados

O KM 45 fica na RS-239, também chamada de Nestor Herculano de Paula, rodovia que liga 12 municípios e tem 4% do PIB estadual. Possui 123 quilômetros, ligando o município de Portão à localidade de Barra do Ouro, no município de Maquiné, já próximo ao litoral. A rodovia cruza os municípios de Estancia Velha, Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Araricá, Nova Hartz, Parobé, Taquara, Rolante e Riozinho. É uma das mais violentas do Estado, por seus acidentes fatais, conforme apontam estatísticas (dados obtidos da internet).

A rodovia é pavimentada até Riozinho. E um trecho de cerca de 2 km em direção ao KM 45, o restante ainda é de chão batido.

O nome da localidade, KM 45, se deve ao fato de estar a essa distância do município de Taquara, um dos mais antigos do Estado. A população do KM 45 era de 150 famílias, aproximadamente, nos anos 70. (“Lembro quando no fim do ano eu mesmo colocava o nome dos fregueses para dar-lhes um calendário, ainda lembro, um ano eram 150”, recordou Dileto Pandolfo, filho do David).

Bem menos de metade dos habitantes atualmente, com o ingresso de fábricas na sede municipal, oferecendo emprego e renda garantidos, e educação a seus filhos, de um lado e o abandono da agricultura de outro, por dificuldades decorrentes da sazonalidade, intempéries, e pouco retorno financeiro, exceto poucos e conhecidos casos.

A foto mostra a casa comercial e residencial do Sr David Pandolfo, nos anos 50, quando ficou pronta. E foi tirada no dia do casamento de Elsa Pandolfo e Lino Lucini.

Naquele dia, lembra o seu Dileto, então com pouco mais de 15 anos, o nono David o mandou a Riozinho de carreta, a fim de buscar os convidados ao casamento. Ainda lembra (rindo), 73 anos após, tê-lo feito um tanto envergonhado e chorando, por estar chovendo e em usar a carreta como meio de transporte.

A foto Mostra o estado atual da casa de comércio, fechada desde 1976. Em 16-01-2014 foi feito inventário, quando a propriedade ficou com a filha mais nova, Onorina Pandolfo Del Castel. Foto gentilmente clicada por Nádia Dal Castel.

A foto, gentilmente cedida por Mauro Dal Castel, mostra a vista aérea do centrinho do KM 45, no sentido Riozinho-Barra do Ouro. A casa comercial do nono David era à esquerda da RS-239, cujo telhado, entre árvores, pode ser identificado ao ampliar a foto, tendo por base um outro na cor clara mais abaixo.

À direita e um pouco adiante, localiza-se o cemitério (onde o nono David está sepultado), a capela (a primeira foi construída em 1950, em homenagem a São José do Patrocínio, pg. 54, segundo o Livro “Rolante”, de José Alfredo Schierholt, publicado e 2004) e o salão da comunidade.

4.3 – Produtos negociados na casa comercial (relato de Dileto Pandolfo)

Além dos citados acima, constantes do Certificado emitido pelo Cartório de Registro de Imóveis de Santo Antônio da Patrulha, seus descendentes mencionam a negociação de produtos coloniais em geral, como feijão, milho, batata doce e inglesa, mandioca, galinha, ovos, porcos, cabritos, compra de carretas de ramagem de mandioca para criação e trato de animais. Além de fabricarem e venderem salamito, cuja produção estava sob o comando do tio Santo Dal Castel, que lá trabalhou por cerca de 50 anos.

Dispunha de duas carretas, puxadas com 4 e 7 animais, respectivamente, que duas vezes por semana, transportava a Taquara e Porto Alegre sacos de feijão, salamito (merece registro especial pela qualidade inigualável e jamais imitado desse produto, fabricado nos porões da casa comercial, até hoje lembrados), mel, banana, cera de abelha, galinha, flor de piretro (usada para fabricação de veneno contra mosquitos, cuja fábrica era em Taquara), etc.

No retorno ao KM 45, levavam sabão, erva-mate, açúcar, sal, bebidas em geral (em especial, gasosa de 250ml), tecidos e roupas feitas, sapatos, chinelos, enfim, produtos de uso pessoal, tábuas de pinus e toras para revenda às serrarias.

Esse vai-vem de carretas carregadas perfazia um total de aproximados180 km semanais. E não davam conta. Muitas vezes, os próprios compradores obrigavam-se a ir lá comprar.

 

Ari Caberlon

e-mail: aricaberlon@gmail.com

51 3223-5062 e 99955-4668.

 



Elisete Luiza Masera
Filósofa, Publicitária
51 98325 5359

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